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21/02/2013
Educação a Distância mais aprendizagem

 Educação a Distância mais aprendizagem

A educação aberta e a distância aparece cada vez mais, no contexto das sociedades contemporâneas, como uma modalidade de educação extremamente adequada e desejável para atender às novas demandas educacionais decorrentes das mudanças na nova ordem econômica mundial.

Nas sociedades "radicalmente modernas" (Giddens,1991 e 1997a), as mudanças sociais ocorrem em ritmo acelerado, sendo especialmente visíveis sobretudo no espantoso avanço das tecnologias de informação e comunicação (TIC), e vêm provocando, senão mudanças profundas, pelo menos desequilíbrios estruturais no campo da educação. Nesta fase de "modernidade tardia" a intensificação do processo de globalização gera mudanças em todos os níveis e esferas da sociedade (e não apenas nos mercados), criando novos estilos de vida, e de consumo, e novas maneiras de ver o mundo e de aprender.

Globalização não é apenas um fenômeno econômico, de surgimento de um "sistema-mundo", mas tem a ver com a "transformação do espaço e do tempo. Giddens" (1997a:4) a define como "a ação à distância" e relaciona sua intensificação com o surgimento de meios de comunicação e de transporte em escala planetária. A interconexão global intensificada gera mudanças das relações tempo/espaço que têm consequências nos modos de operar da sociedade. O contato, ainda que mediatizado, dos indivíduos com eventos e idéias existentes em outras culturas tem um efeito de descontextualização (com relação ao mundo local vivido) e de recontextualização num mundo globalizado que, embora tecnicamente virtual, fornece-lhes novos parâmetros para compreender seu contexto local. Nesta dialética de globalização/localização, observa-se também um aumento da reflexividade, característica típica da modernidade que "diz respeito à possibilidade de a maioria dos aspectos da atividade social, e das relações materiais com a natureza, serem revistos radicalmente à luz de novas informações ou conhecimentos" (Giddens,1997b;18).

Estas mesmas tecnologias que globalizam deste modo as informações estão sendo aplicadas à aprendizagem aberta e a distância, seja formalmente a partir de sistemas de educação a distância, seja de modo informal, por toda a panoplia de canais de televisão, redes telemáticas e produtos multimídia. As fronteiras entre educação e entretenimento parecem se diluir, dando lugar ao aparecimento de uma série de novas formas de "aprender" que alguns já estão chamando de "infotenimento" (Field,1995).

Tais mudanças -- no processo econômico, na organização e gestão do trabalho, no acesso ao mercado de trabalho, na cultura cada vez mais mediatizada e mundializada -- requerem transformações nos sistemas educacionais, que cedo ou tarde vão assumindo novas funções e enfrentando novos desafios. O papel da educação na sociedade -- a definição de suas finalidades maiores -- está se tranformando e suas estratégias vêm sendo modificadas de modo a responder às novas demandas, notadamente com com a introdução de meios técnicos e de uma maior flexibilidade quanto às condições de acesso, aos currículos e metodologias (Trindade,1992; Ljosa,1992; Blandin,1990; Paul,1990;Perriault,1996).

Neste quadro de mudanças na sociedade e no campo da educação, já não se pode considerar a educação a distância (EaD) apenas como um meio de superar problemas emergenciais (como parece ser o caso na LDB brasileira), ou para consertar alguns fracassos dos sistemas educacionais em dado momento de sua história (como foi o caso de muitas experiências em países grandes e pobres, inclusive o Brasil, nos anos 70).

A EaD tende doravante a se tornar cada vez mais um elemento regular e necessário dos sistemas educativos, não apenas para atender a demandas e/ou grupos específicos, mas com funções de crescente importância, especialmente no ensino pós-secundário, ou seja, na educação da população adulta, o que inclui o ensino superior regular e toda grande e variada demanda de formação contínua gerada pela obsolescência acelerada da tecnologia e do conhecimento.

Considerando a educação como instrumento de emancipação, e a partir de uma perspectiva de democratização das oportunidades educacionais, nas sociedades da "informação" ou do "saber", onde a formação inicial torna-se rapidamente insuficiente, as tendências mais fortes apontam para a educação ao longo da vida, (lifelong education), mais integrada aos locais de trabalho e às expectativas e necessidades dos indivíduos (Carmo,1997;Keegan,1983; Perriault,1996; Bates,1990b).

Maria Luiza Belloni

Universidade Federal de Santa Catarina

Fonte: www.educacaoonline.pro.br

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